Recebi a indicação de um blog para download de filmes com conteúdo politico e histórico, explorei brevemente o blog e realmente pareceu ser uma ótima opção.
Acho muito bacana que existam iniciativas como esta, este tipo de filme é raramente encontrado em locadoras e muito difíceis de encontrar, mesmo na internet. São ótimas opções para trabalhar em sala de aula ou até mesmo para uma seção de "filmes cabeça".
Aproveitem a dica:
http://filmespoliticos.blogspot.com/
obs.: coloquei o link deste blog no Blogroll ao lado também.
23 agosto 2011
11 agosto 2011
Estamira
Repassando um texto que recebi, vale a pena conhecer um pouco desta história de vida, conhecer um pouco do que se esconde dos olhos da classe média, dos programas de TV, das propagandas bonitas.....
(Para quem não viu o filme vale ver-- se não viu: Estamira)
ESTAMIRA, PRESENTE!
Curitiba - 28/07/11
Ontem a tarde (27 de julho de 2011) Estamira Gomes de Souza, mulher negra da classe trabalhadora, catadora de lixo no Aterro do Gramacho (Rio de Janeiro) nasceu ao contrário. Tinha 72 anos e morreu cansada, mal cuidada e principalmente: não ouvida (paradoxalmente tão escutada no mundo inteiro). A protagonista do filme que leva seu nome, dirigido por Marcos Prado e lançado em 2004 agonizou por horas no Hospital Miguel Couto, na Gávea, desassistida pelo SUS e incapaz – como a imensa maioria dos trabalhadores – de comprar sua assistência em um hospital particular.
Os trocadilos apontam que a razão de sua morte se chama 'septicemia', uma infecção generalizada. Poderiam dizer que por ter transtornos mentais, Estamira deveria ter sido assistida em um asilo, ou um hospital/hospício psiquiátrico para que de lá não saísse e morresse em paz, longe do lixo, das moscas, longe da família, longe daquele mar que lhe era tão importante. Do outro lado, os que acreditam cegamente nos governos, acreditam que a construção da rede de atenção psicossocial substitutiva à lógica manicomial está consolidada, amplificada e atuante. Não desconsideramos os avanços da instalação da rede, determinada pela lei 10216/2001. Mas, como Estamira nos alertou: existe esperteza ao contrário, não inocência.
De toda forma, Estamira passou sua vida em pé, trabalhando, replicando sua existência dentro dum lixão, desatenta aos levantes manicomiais de empresários-da-saúde-mental que discorrem trocadilos sobre técnicas arcaicas repaginadas, assistência integral, novos medicamentos, cuspindo cifras.. Alheia aos professores de Psicologia que passam o filme nas aulas e todos saem das salas com mal estar, surpresos, com pena. No ano que vem, uma nova turma assistirá sua história. Tudo bem: esta arte nos permite a distância, a contemplação, o não envolver-se e o não implicar-se.
Escutamos Estamira e observamos mais uma que sofre numa massa de trabalhadores negros, homens e mulheres que apodrecem todos os dias. Estamira é apenas mais uma entre os milhares de loucos da classe trabalhadora que já não valem mais nada ao sistema do capital e que por isto – e só por isto – são jogados no lixo para se confundirem ao inútil e ao descuido nos aterros e favelas do país.
O cinismo deste sistema traveste seu discurso delirante, denunciativo, agressivo e violento em “poesia”, “uma forma atípica de expressão”, “obra de arte”. Esta forma de arte não nos importa. Não queremos lembrar de Estamira apenas quando seu filme recebe mais um prêmio internacional. Acreditamos que não basta lamentar sua morte em cento e quarenta caracteres, num pio. Reivindicamos a vida e obra produzida ao longo dos dias de vida de Estamira. Com todos os seus direitos humanos negados, todos os serviços de saúde de má qualidade, sua péssima condição de moradia, seu trabalho precarizado, a educação negada. Seus e de todos os trabalhadores.
Não nos interessa a mera constatação de que algo vai errado. Interessa a luta pela efetividade da atenção à saúde mental no Brasil. Interessa a consolidação de equipes multidisplinares, a efetivação da Reforma Psiquiátrica, a redução de danos, a porta aberta nos equipamentos, a defesa intransigente de uma vida digna e sem desigualdade social para todos os trabalhadores. Lutando, honramos Estamira e todos os seus irmãos e companheiros desconhecidos, que nunca estrelarão um filme mas que também querem visitar o mar.
Estamira! Mulher negra, resistente, trabalhadora!
Presente!
César Fernandes, psicólogo militante da luta contra os manicômios e pela construção do socialismo.
09 agosto 2011
II Encontro de Cultura Popular e Teatro
Do dia 10 ao dia 13 de agosto Guaíba vai ser palco de uma série de atividades culturais, trata-se do II Encontro de Cultura Popular e Teatro, um evento muito rico e diversificado que reúne diversos artistas gaúchos em uma série de apresentações e oficinas para os mais diversos públicos.
Confira a programação abaixo.
Para mais informações acesse: www.sementesolidaria.com.br
03 agosto 2011
02 junho 2011
Art Project - Museus Virtuais
O Google ta com uma novidade muito bacana, um portal onde da para fazer uma visita virtual por vários museus do mundo.
Ainda não tem nenhum museu do Brasil disponível, mas vale muito a pena dar uma olhada.
http://www.googleartproject.com/?utm_source=Google&utm_medium=HPP&utm_campaign=artproject
Ainda não tem nenhum museu do Brasil disponível, mas vale muito a pena dar uma olhada.
http://www.googleartproject.com/?utm_source=Google&utm_medium=HPP&utm_campaign=artproject
30 maio 2011
25 maio 2011
Um bom texto do Juremir Machado
A distinção de Classes encontra-se em todos os lugares?
Acho que este texto do Juremir Machado nos ajuda a pensar um pouco sobre isso:
A gramática acabou?
Adoro uma história contada por um palomense.
Um velho cínico diz a um jovem cheio de boas intenções:
"Se Deus não existe, tudo está perdido".
"Por quê?", limita-se a balbuciar o jovem.
"Por que tudo se torna permitido".
"Então é melhor que Deus exista?"
"Sem dúvida", responde o velho.
O jovem concorda.
"Agora, entre nós", sussurra o velho, o que tu achas: "Deus existe?"
*
O velho cínico encontra novamente o jovem e diz:
"Os homens classificam-se em homens que leram Foucault, Borges e um sábio chinês; homens que acabam de pisar num cocô de cachorro, que já levaram chifres, que sentem vergonha de andar na rua com uma orquídea nas mãos; que amam futebol, que odeiam política e que sabem para que serve o pronome oblíquo átono..."
– Para que serve o pronome oblíquo átono?" – pergunta o jovem deslumbrado.
– Para classificar os homens.
– Só isso?
– E para questões de concursos para servir cafezinho nos tribunais de justiça?
– Mas isso é ainda classificar os homens.
– É o que acabo de dizer.
– O senhor acaba de dizer que a gramática é um sistema de hierarquia social, de separação e classificação dos homens?
– Um modo de distinção.
– Mas não tem uma racionalidade interna nas regras gramaticais?
– Tem. Mas o padrão culto tem tanta racionalidade quanto o popular. Dizer "os livros" ou "os livro" é igualmente eficaz e inteligente.
– Então por que um sistema, o culto, é ensinado nas escolas e o outro não?
– Por que as pessoas pensam que o primeiro é melhor.
– E não é?
– É equivalente.
– Por que elas pensam que é melhor?
– Por que não sabem que não é melhor.
– Então elas são ignorantes?
– São.
– Por que elas acham que o padrão culto é melhor?
– Porque acreditam que o seu uso dá mais expressividade, eficiência e clareza à língua.
– E não dá?
– Não necessariamente.
– Então o padrão culto é apenas o padrão da tal classe dominante?
– Exatamente. É um padrão surgido num momento histórico, validado como tal e e assim repetido. Quem não o usa, sofre preconceito. Ele é o melhor por ser ensinado como o melhor, o que o torna sempre o melhor.
– Mas, mestre, se dois modos são equivalentes, mas um deles é considerado melhor, gerando preconceito para quem usa o outro, ensinar o considerado melhor não significa reproduzir e reforçar o preconceito?
– É um modo de ver.
– Quer dizer que o ensino da gramática reproduz o preconceito e a ignorância da elite, que pensa adotar a melhor variação da língua, mas apenas está adotando aquela que a distingue de outros?
– É um modo de ver.
– Mas, mestre, quando há um preconceito, seja qual for, não se deve lutar contra ele?
– Ou se adaptar a ele.
– O senhor está dizendo que os linguistas, com essa história de língua de prestígio, aquela que permite a ascensão social, estão sendo conformistas, como um estrategista cínico que diz a um homossexual para se comportar como heterossexual num determinado meio ou será discriminado e não conseguirá o emprego desejado?
– Quem sabe...
– Quer dizer que a escola fica enfiando regras arbitrárias na cabeça da gente durante anos somente para que possamos corresponder ao credo ilusório da classe dominante de que a sua maneira de falar é a melhor?
– É o que eu chamo de pragmática linguística.
– E eu de pragmática social.
– As regras são boas, jovem, porque quem pode dizer que elas são boas, o mais forte, assim o faz.
– Mas o faz por não saber que elas não são melhores do que outras.
– Pode ser. Mas sem dominar tais regras, jovem, o sujeito não alcança os seus objetivos.
– Então, mestre, é só uma questão de vaidade, de poder, de dominação e de adaptação para se dar bem?
– E de classificação de homens.
– Não se deveria, mestre, ter a coragem de ir às últimas consequências e defender o fim dessa distinção e desse preconceito? Numa sociedade sem esse preconceito, mestre, não se precisará estudar gramática?
– É importante que as crianças estudem gramática, jovem.
– Por quê?
– Para que se mantenham ocupadas.
– É uma visão funcionalista, mestre.
– Uma visão realista.
– Eu pensava que as regras gramaticais eram...
– Naturais? Criadas por Deus? Uma descoberta dos cientistas como quem descobre a lei da gravidade?
– Não, o resultado de uma, vamos dizer, "seleção natural", o resultado de uma competição ao longo do tempo entre as melhores fórmulas construídas pelos homens e capazes de assegurar mais clareza e eficiência à língua.
– E é assim. Mas algumas regras, nessa permanente competição, embora ultrapassadas por outras melhores, são mantidas como se fossem superiores por apego dos seus usuários. É quando se transformam em regras de distinção. Já perderam a validade distintiva, mas persistem como vestígios de classe.
– A lei da precedência ou da origem.
– Isso mesmo. A regra que diz isto é correto porque era assim antes.
– Então pode ser "a nível de" e "em nível de".
– Por que não?
– Menos e menas?
– Não. Ainda. Alguma ordem precisa ser imposta.
– Se Deus não existe, mestre, tudo é permitido...
– É o que eu digo.
– Mas ele existe?
Postado por Juremir Machado da Silva - 24/05/2011 20:17 - Atualizado em 25/05/2011 10:49
Acho que este texto do Juremir Machado nos ajuda a pensar um pouco sobre isso:
A gramática acabou?
Adoro uma história contada por um palomense.
Um velho cínico diz a um jovem cheio de boas intenções:
"Se Deus não existe, tudo está perdido".
"Por quê?", limita-se a balbuciar o jovem.
"Por que tudo se torna permitido".
"Então é melhor que Deus exista?"
"Sem dúvida", responde o velho.
O jovem concorda.
"Agora, entre nós", sussurra o velho, o que tu achas: "Deus existe?"
*
O velho cínico encontra novamente o jovem e diz:
"Os homens classificam-se em homens que leram Foucault, Borges e um sábio chinês; homens que acabam de pisar num cocô de cachorro, que já levaram chifres, que sentem vergonha de andar na rua com uma orquídea nas mãos; que amam futebol, que odeiam política e que sabem para que serve o pronome oblíquo átono..."
– Para que serve o pronome oblíquo átono?" – pergunta o jovem deslumbrado.
– Para classificar os homens.
– Só isso?
– E para questões de concursos para servir cafezinho nos tribunais de justiça?
– Mas isso é ainda classificar os homens.
– É o que acabo de dizer.
– O senhor acaba de dizer que a gramática é um sistema de hierarquia social, de separação e classificação dos homens?
– Um modo de distinção.
– Mas não tem uma racionalidade interna nas regras gramaticais?
– Tem. Mas o padrão culto tem tanta racionalidade quanto o popular. Dizer "os livros" ou "os livro" é igualmente eficaz e inteligente.
– Então por que um sistema, o culto, é ensinado nas escolas e o outro não?
– Por que as pessoas pensam que o primeiro é melhor.
– E não é?
– É equivalente.
– Por que elas pensam que é melhor?
– Por que não sabem que não é melhor.
– Então elas são ignorantes?
– São.
– Por que elas acham que o padrão culto é melhor?
– Porque acreditam que o seu uso dá mais expressividade, eficiência e clareza à língua.
– E não dá?
– Não necessariamente.
– Então o padrão culto é apenas o padrão da tal classe dominante?
– Exatamente. É um padrão surgido num momento histórico, validado como tal e e assim repetido. Quem não o usa, sofre preconceito. Ele é o melhor por ser ensinado como o melhor, o que o torna sempre o melhor.
– Mas, mestre, se dois modos são equivalentes, mas um deles é considerado melhor, gerando preconceito para quem usa o outro, ensinar o considerado melhor não significa reproduzir e reforçar o preconceito?
– É um modo de ver.
– Quer dizer que o ensino da gramática reproduz o preconceito e a ignorância da elite, que pensa adotar a melhor variação da língua, mas apenas está adotando aquela que a distingue de outros?
– É um modo de ver.
– Mas, mestre, quando há um preconceito, seja qual for, não se deve lutar contra ele?
– Ou se adaptar a ele.
– O senhor está dizendo que os linguistas, com essa história de língua de prestígio, aquela que permite a ascensão social, estão sendo conformistas, como um estrategista cínico que diz a um homossexual para se comportar como heterossexual num determinado meio ou será discriminado e não conseguirá o emprego desejado?
– Quem sabe...
– Quer dizer que a escola fica enfiando regras arbitrárias na cabeça da gente durante anos somente para que possamos corresponder ao credo ilusório da classe dominante de que a sua maneira de falar é a melhor?
– É o que eu chamo de pragmática linguística.
– E eu de pragmática social.
– As regras são boas, jovem, porque quem pode dizer que elas são boas, o mais forte, assim o faz.
– Mas o faz por não saber que elas não são melhores do que outras.
– Pode ser. Mas sem dominar tais regras, jovem, o sujeito não alcança os seus objetivos.
– Então, mestre, é só uma questão de vaidade, de poder, de dominação e de adaptação para se dar bem?
– E de classificação de homens.
– Não se deveria, mestre, ter a coragem de ir às últimas consequências e defender o fim dessa distinção e desse preconceito? Numa sociedade sem esse preconceito, mestre, não se precisará estudar gramática?
– É importante que as crianças estudem gramática, jovem.
– Por quê?
– Para que se mantenham ocupadas.
– É uma visão funcionalista, mestre.
– Uma visão realista.
– Eu pensava que as regras gramaticais eram...
– Naturais? Criadas por Deus? Uma descoberta dos cientistas como quem descobre a lei da gravidade?
– Não, o resultado de uma, vamos dizer, "seleção natural", o resultado de uma competição ao longo do tempo entre as melhores fórmulas construídas pelos homens e capazes de assegurar mais clareza e eficiência à língua.
– E é assim. Mas algumas regras, nessa permanente competição, embora ultrapassadas por outras melhores, são mantidas como se fossem superiores por apego dos seus usuários. É quando se transformam em regras de distinção. Já perderam a validade distintiva, mas persistem como vestígios de classe.
– A lei da precedência ou da origem.
– Isso mesmo. A regra que diz isto é correto porque era assim antes.
– Então pode ser "a nível de" e "em nível de".
– Por que não?
– Menos e menas?
– Não. Ainda. Alguma ordem precisa ser imposta.
– Se Deus não existe, mestre, tudo é permitido...
– É o que eu digo.
– Mas ele existe?
Postado por Juremir Machado da Silva - 24/05/2011 20:17 - Atualizado em 25/05/2011 10:49
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