21 fevereiro 2011

Homofobia e escola

Todos nós sabemos que a escola é um espaço privilegiado para construção de uma nova sociedade, a educação das crianças é fator determinante para o desenvolvimento de uma sociedade futura. Vendo por esse prisma, vários grupos políticos e sociais lutam para que certos valores sejam ou não trabalhados em sala de aula.

Um exemplo importante desta luta foi a do Movimento Negro, graças as suas manifestações hoje a lei 10.639 obriga as escolas a trabalharem a história da África e dos Afro-descendentes com seus alunos. Com certeza isso é um avanço muito grande na luta contra o racismo e, em muito pouco tempo, conseguiremos verificar os benefícios que esta lei trará.

Outros grupos também lutam para ganhar este espaço nas salas de aula, um destes é o grupo que representa a luta contra a homofobia, confira no link abaixo a entrevista com o Dep. Jean Wyllys que vem a frente desta luta, não deixe de ler também a entrevista que vem logo abaixo com o Dep. Jair Bolsonaro, um exemplo de pensamento retrogado que insiste em persistir em pleno século XXI e que, infelizmente, ainda encontra espaço entre os políticos que governam o nosso país.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI212480-15223,00.html

20 janeiro 2011

Dica Cultural

Performance "Viúvas" na Ilha das Pedras Brancas

Teatro na Ilha Pedras Brancas


De 20 a 29 de janeiro a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz estará encenando ¨Viúvas, Performance sobre a Ausência – Trabalho em Andamento¨ na Ilha das Pedras Brancas, conhecida como Ilha do Presídio. A performance propõe uma viagem à memória da ditadura militar, encenado nas ruínas do antigo presídio de presos políticos.
O espetáculo tem entrada franca e conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Guaíba. De 20 a 27 de janeiro as senhas serão distribuídas no saguão da Usina do Gasômetro, às 19h e nos dias 28 e 29 na plataforma de embarque do Terminal Rodoviário da cidade de Guaíba (Av. João Pessoa, 966) a partir das 19h30. Informações pelo fone (51) 9999 4570.  O público será transportado de barco até a ilha. A encenação foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz.

¨Viúvas, Performance sobre a Ausência – Trabalho em Andamento¨  faz parte da pesquisa teatral que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz vem realizando sobre o imaginário latino-americano e sua história recente. Partindo do texto Viúvas de Ariel Dorfman e Tony Kushner, a Tribo dá continuidade à sua investigação da cena ritual, dentro da vertente do Teatro de Vivência. Viúvas mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos  pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer. O Teatro de Vivência do Ói Nóis Aqui Traveiz procura uma forma de relação aberta e sincera com o público, em que atores e espectadores partilhem de uma experiência comum, que tenha intensidade de um acontecimento, capaz de produzir novas formas de percepção. Participam da encenação coletiva 24 atuadores: Paulo Flores, Tânia Farias, Clélio Cardoso, Renan Leandro, Edgar Alves, Marta Haas, Paula Carvalho, Eugênio Barboza, Roberto Corbo, Sandra Steil, Anelise Vargas, Jorge Gil, Caroline Vetori, Karina Sieben, Raquel Zepka, Eduardo Cardoso, Cléber Vinícius, Paola Mallmann, Camila Alfonso de Almeida, Alessandro Müller, Alex Pantera, Aline Ferraz, Letícia Virtuoso e Geison Burgedurf.

18 julho 2010

Chimamanda Adichie: O perigo de uma única história - Parte 1

Esse vídeo é fantástico, uma verdadeira aula de história e antropologia. Impossivel não fazer uma reflexão sobre suas próprias atitudes ao assisti-lo. Não vou comentar muito sobre ele, vou deixar que tirem suas próprias conclusões. Tenho certeza de que vão gostar.


Chimamanda Adichie: O perigo de uma única história - Parte 2

Lei 10.639/03 e Lei 11.645/08 (02)

Só para constar, a Lei 10.639/03 é a que regulamenta e obriga a inclusão do ensino da história e cultura Afro-brasileira nos curriculos escolares. A lei 11.645/08 complementa a lei anterior com a inclusão do componente índigena.

Lei 10.639 e Lei 11.645/08

O advento das leis 10.639/03 e 11.645/08 trouxe consigo a possibilidade de reparo a uma defasagem muito grande no que se refere à valorização do papel do negro e do indígena na construção da identidade do povo brasileiro. Por anos, o papel associado às populações africanas nos conteúdos escolares ligados a história do Brasil apenas os mencionavam na condição de escravos, sem valorizar a cultura trazida por estes povos e toda a influência que ela teve na construção da identidade cultural brasileira, enquanto que os indígenas parecem desaparecer das paginas da história depois da chegada dos europeus a América.

Outros povos, no entanto, sempre tiveram lugar destacado nos estudos voltados a identificar as origens de nossa cultura. Nunca foi negado a portugueses, italianos, alemães, entre outros, sua importância como culturas originárias desta grande miscigenação étnico-cultural que forma o Brasil. No entanto, a identidade indígena e africana sempre foram, ao longo de nossa história, consideradas como inferiores pela elite nacional, sendo sempre marginalizadas ou até mesmo repudiadas.

Foi somente através de um grande histórico de lutas e reivindicações que estes grupos sociais conseguiram sair da invisibilidade e ter sua memória recuperada e respeitada. A organização, principalmente do movimento negro, foi fundamental para que direitos destas populações fossem assegurados através de ações afirmativas, como, por exemplo, a política de cotas nas universidades federais. Naturalmente esta é uma luta que ainda da seus primeiros passos, mesma que o histórico de organização destes grupos já seja bem extenso, ainda a muito que mudar em nossa sociedade em relação às condições de acesso a emprego, educação, saúde e dignidade entre os diferentes grupos étnicos.

A luta dos negros em nosso país por melhoria em suas condições de vida teve como bandeira histórica o acesso a educação, conforme Sales Augusto dos Santos:

A  valorização  da  educação  formal  foi  uma  das  várias  técnicas  sociais empregadas pelos negros para ascender de status. Houve uma propensão dos negros em valorizar a escola e a aprendizagem escolar como um "bem supremo" e uma espécie de "abre-te sésamo" da sociedade moderna. A escola passou a ser  definida  socialmente  pelos  negros como um veículo  de  ascensão  social (...).[1]

 

Para dar continuidade a estes avanços, são necessários os esforços de vários seguimentos da sociedade. Em primeiro lugar o governo deve dar subsídios para a real implantação da lei, financiando a produção de materiais didáticos que estejam de acordo com a proposta da lei, incentivando cursos de capacitação de professores para poderem trabalhar com a temática e também exercendo seu papel de fiscalizador, exigindo que se cumpra a proposta. Aos professores talvez caiba o desafio maior, compensar formações que em muitos casos não tiveram a preocupação de trabalhar essas temáticas, e procurar se qualificar e se adaptar para estar integrado a proposta de ensinar os conteúdos de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas.

O primeiro passo já foi dado, já está vigorando uma lei que regulamenta e exige essa reparação histórica na forma como nos relacionamos com nossos antepassados africanos e indígenas. Cabe a nós, professores e sociedade civil, trabalharmos para tornar efetiva a implantação desta lei, e talvez com isso ajudar a romper com os preconceitos e desigualdades que ainda persistem em nossa sociedade.



[1] SANTOS, Sales Augusto dos. Educação Anti-racista: caminhos abertos pela Lei 10.639/03 – Acesso em 18/07/2010. Disponível em http://moodleinstitucional.ufrgs.br/file.php/9360/marcia/TEXTO_SALES_PARA_TOPICO2.pdf




22 junho 2010

Postagens

Andei meio ausente nas postagens, sei que não deveria, mas andei. A correria do dia a dia faz com que a gente tenha algumas prioridades e deixe de lado algumas atividades importantes, mas organização é fundamental e escrever neste blog é um exercício que não quero deixar de fazer. Prometo que serei mais atencioso com ele.
Para marcar esse recomeço, postei um texto do professor Luis Augusto Fisher (docente no curso de letras da UFRGS) que li na Zero Hora e que achei muito interessante, o texto trata da complicada relação entre professores e alunos na atualidade, essa reflexão advem do assalto realizado por um aluno a uma professora em uma escola de Porto Alegre. Não concordo com tudo o que o professor Fisher escreveu, mas que as queixas dos professores em relação ao comportamente dos alunos têm aumentado bastante, me parece bastante evidente.
Também não concordo que as inovações no campo pedagógico sejam todas más, muita coisa melhorou  e se certas teorias parecem funcionar muito melhor no discurso do que na prática é porque talvez muitos professores confundam essas idéias e acabam por trabalhar um esboço do que de fato certas teorias sugerem.
Tenho medo dos discursos que parecem evocar um passado glorioso na educação, acredito que muito mais do que uma perda de qualidade, na verdade essas dificuldades encontradas são fruto de um processo de inclusão que tem colocado quase que a totalidade das crianças na escola. Essa inclusão é sem duvida nenhuma uma vitória, mas agora é o momento de pensar também na qualificação do ensino, uma qualificação que contemple a realidade das escolas e prepare professores e alunos para as dificuldades da atualidade.
Confira abaixo o texto do Fisher e não deixe de dar a sua opnião.